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Em Yonkers, NY, padeiros portugueses angariam fundos para a associação local com convívio semanal que já vai no 17º ano
By MP
Quarta 11 Fevereiro 2004, 15:00 PST

A notícia de que às quartas-feiras os padeiros e juntavam no Elias depois da entrega do pão foi passando de boca em boca e em breve o grupo alargou-se a mais amigos. Juntaram-se assim os—"carrapachanos" (um grupo de naturais de Seia), os de Celorico da Beira e outros, de tal forma que a casa do Elias passou a ser pequena para tanta gente. O grupo decidiu então transferir os encontros para a sede dos""carrapachanos" e o pagamento do almoço era feito de uma forma original: jogava-se às cartas e quem perdia, pagava.

O grupo responsável pelos convívios; em baixo, aspecto das mesas no dia em que Mundo Português esteve no clube português de Yonkers, NY

"Era uma forma salutar de conviver e passar o tempo com amigos, sem qualquer outro objectivo", disse ao Mundo Português Fernando Santos.

Mas o grupo alargou-se para cerca de 20 pessoas e houve necessidade de arranjar uma espaço maior. Escolheu-se então o Portuguese American Cultural Center (clube português) de Yonkers, e a comida passou a ser confeccionada na cozinha do salão.

"O grupo abriu-se então a todos os que apareciam", continua Fernando Santos, "de tal forma que chegámos a juntar aqui mais de 70 pessoas".

Com um grupo deste tamanho estabeleceu-se um preço fixo para o almoço, cujos lucros passaram a ser entregues ao clube português. A comida era sempre confeccionada pelos mesmos "padeiros-cozinheiros" sob supervisão do Fernando Cardoso, natural de Marco de Canavezes, e o vinho, caseiro, trazido pelos participantes.

Grupo doa $10 mil por ano

"Estes convívios de quarta-feira tornaram-se uma tradição no clube e na comunidade", explica a mesma fonte.""Desde essa data até hoje, são sempre as mesmas pessoas que cozinham e há gente que nunca faltou uma semana", acrescenta.

"Como todos trabalham de graça e o pão é oferecido, pudemos ir juntando sempre dinheiro, cerca de 10 mil dólares ao ano, que oferecemos ao clube português", diz ainda.

Hoje, 17 anos volvidos desde o primeiro encontro, o almoço e o convívio continuam a ser organizados e supervisionados pelo mesmo grupo-forte: Manuel Marques (reformado da General Motors), João Tomásio, Joaquim Conceição "Pula", José Machado, Manuel Marques, Fernando Santos, António Carreira e Jaime Carvalho. Na cozinha manda o Fernando Cardoso. A ementa é fácil de escolher: uma semana carne, a outra peixe. O pão é sempre oferecido pela padaria Barritela & Santos, propriedade do Fernando Santos, um jovem emigrante natural da freguesias dos Covões, concelho de Cantanhede, e o vinho, quando não é caseiro, trazido a garrafão por um comensal, é comprado no bar do clube português.

E para quem possa ver aqui concorrência a restaurantes locais, o Fernando volta a frisar que "o principal objectivo destes almoços é exclusivamente o convívio entre as pessoas".

"Todas as semanas aparece gente diferente, pois cada um vai sempre trazendo um amigo e até temos tido cá a almoçar polícias e bombeiros da cidade e compatriotas de Long Island", acrescenta.

Fernando Cardoso, o chefe da cozinha, diz que gosta de cozinhar para esta gente toda, mas nem sempre é fácil gerir a logística, "pois ninguém marca lugar, as pessoas aparecem e há semanas em que é difícil ter comida para todos". E embora não sendo cozinheiro de profissão (aprendeu a cozinhar com a mãe), os dotes de Fernando Cardoso são bem conhecidos entre a comunidade portuguesa, sobretudo o cabrito e o rosbife, duas especialidades que ultrapassaram já as fronteiras de Yonkers. Quanto corre a notícia que ele vai confeccionar estes pratos, "há famílias inteiras" que vão lá almoçar nessa quarta-feira. O preço acessível, $12, e o facto de cada pessoa poder servir-se as vezes que desejar, são também factores convidativos.

Mas o principal, como realça Manuel Marques, natural de Avanca, um dos""fundadores", é a "amizade, o convívio e a confraternização" que une este grupo, que cresce todas as semanas com gente nova e consegue unir várias gerações de emigrantes portugueses à volta de uma mesa. E a satisfação de que, no fundo, se está a ajudar uma boa causa: o clube português da cidade, o ponto de encontro e o orgulho da comunidade.

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