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FILATELIA
Uma simbólica comum (3ª parte)
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Quinta 5 Dezembro 2002, 11:31 PST

Nos dois últimos artigos começámos a abordar algumas ques-
tões relacionadas com o conjunto de emissões de selos (e em alguns casos blocos, carteiras e inteiros postais) que países europeus (inicialmente apenas os da Comunidade Económica Europeia, depois muitos outros) acordaram emitir em conjunto. Este acordo passa por certas regras sobre a quantidade de selos diferentes a emitir, sobre a data de lançamento ao público e, sobretudo, sobre o desenho ou o tema comum a todos eles.

Estas emissões ainda hoje são habitualmente designadas por emissões Europa-CEPT, apesar de esta organização já ter sido substituída por outra, como referimos oportunamente.

Neste singelo artigo é nossa intenção falar um pouco mais do primeiro conjunto de emissões conjuntas, caracterizadas pelaigualdade ou semelhança das imagens dos selos dos diversos países – apesar de quase sempre existirem alguns países que fugiam às regras estabelecidas.

Na identidade simbólica dos diversos selos se escrevia a história do homérico esforço de construir um sentimento comum entre cidadãos de países diferentes, com histórias, tradições e valores diferentes, em muitos casos contraditórios e historicamente antagónicos em alguns períodos.

O período de identidade de imagem estende-se da primeira edição, 1956, até 1973.

Vejamos as designações dadas às diversas emissões:

1956 - Reconstruindo a Europa (6+0)

1957 - Factor de Paz e Fonte de Bem-Estar: a Árvore (2+6)

1958 - Ao Serviço da Ideia Europeista (7+1)

1959 - Corrente de seis Aros (7+1) ou (6+2)

1960 - Roda com dezanove Raios (18+2) ou (17+3)

1961 - Pomba (13+3) ou (12+4)

1962 - Árvore com dezanove Folhas (13+5)

1963 - Iniciais de CEPT (14+5)

1964 - Margarida com vinte e duas Pétalas (17+2)

1965 - Espiga Europa (16+3)

1966 - Navio Europa (17+2)

1967 - Engrenagens (18+1)

1968 - Chave Dourada (18+0)

1969 - 10º Aniversário da CEPT (26+0)

1970 - Sol Chamejante (19+0)

1971 - Fraternidade e Cooperação (21+0) ou (20+1)

1972 - Comunicações (22+0) ou (20+2)

1973 - Corneta Postal (24+0) ou (20+4)

Nesta listagem indica-se o ano da emissão, a designação atribuída a essa emissão e, dentro do parêntesis, o número de países que aceitaram o desenho comum, em primeiro lugar, embora admitindo-se pequenas variantes de desenho e diferentes cores, e os que emitiram com outras representações, em segundo lugar. Em alguns casos é difícil saber como classificar. Por isso indicar outra possibilidade de combinação. É o caso, por exemplo, de 1960 em que se pretendia mostrar que cada país europeu, raio, valia essencialmente como parte de um todo, a roda. A Grã-Bretanha também representa nos seus selos a referida roda com os raios, mas o espaço ocupado por ela é menor que a publicitação de uma conferência e a imagem da rainha. Se salientarmos o facto do selo conter a "roda com dezanove raios" podemos dizer que há 18 países com respeito pelo desenho acordado e 2 que divergem. Se considerarmos que a subestimação do comum e o valorização do nacional desvirtua o efeito simbólico, temos 17 mais 3.

Desta singela listagem e da visualização de um exemplar de cada selo que se apresenta, é fácil concluir diversas coisas tanto do ponto de vista simbólico como estatístico.

Começando por este detecta-se um aumento dos países, administrações postais, que integram a Organização Postal e de Telecomunicações da Europa (CEPT) ou que, pelo menos, participam das emissões conjuntas.

Do ponto de vista simbólico constamos:

- uma boa percentagem de emissões que exprimem o desejo da conjugação de esforços para se atingirem determinados objectivos comuns. É o caso por exemplo de 1961 com o desejo de paz ou o de 1967 com o aumento da produção, quiçá industrial.

- há algumas representações que reflectem uma imagem irreal da Europa e que nem um desejo comum é capaz de construir. É o caso, por exemplo de 1957, pois os diversos países e povos europeus não têm uma raiz comum, nem é possível que a vontade colectiva a construa.

- em esparsos períodos há um excessivo optimismo em relação ao processo de construção europeia, como são os casos de 1968 e 1970.

Qualquer uma destas emissões daria para análises mais pormenorizadas (o que se pretendeu com a representação? que interpretação deu cada país? quais foram os que aceitaram a identidade simbólica e os que decidiram por outro tipo de imagem? porquê?) que poderemos na continuação desta viagem abordar. É uma viagem filatélica, porque trata de selos, mas também histórica e social, pois é parte do percurso da integração até hoje mais conseguida, tornando amigos quem antes eram inimigos.

Contudo preferimos agora que o leitor tome contacto com as imagens que marcaram este período de uma vontade comum.

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