PORTUGAL
A onda de calor que afectou Portugal entre o final de Julho e 15 de Agosto do ano passado provocou 1.953 mortes a mais, das quais 14 foram directamente atribuídas às altas temperaturas, revelou o ministro da Saúde. Luís Filipe Pereira, que apresentava em Lisboa o Plano de Contingência para prevenir os efeitos de uma eventual onda de calor durante este Verão, adiantou ainda que a mortalidade excessiva verificada naquela quinzena ocorreu em todo o tipo de doenças, com especial incidência nas do aparelho circulatório.
Porém, dos 1.953 óbitos a mais, apenas 14 certidões de óbito indicaram como causa de morte o "golpe de calor" — segundo a tabela de classificação de causas de morte da Organização Mundial de Saúde. Nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde ocorreram mais 545 mortes, comparativamente ao mesmo período de 2000/2001, enquanto nos hospitais privados, sociais e militares a mortalidade excessiva correspondeu a mais 443 óbitos.
"Disse e mantenho que o Serviço Nacional de Saúde agiu positivamente em 2003", frisou Luís Filipe Pereira, que apresentou hoje o Plano de Contingência para 2004 - elaborado pela Direcção Geral da Saúde - como um instrumento para "melhorar" a intervenção das várias entidades face a uma nova subida excessiva das temperaturas.
Da análise efectuada às consequências sobre a mortalidade provocadas pelas temperaturas excessivas registadas em Portugal no Verão passado, a Direcção Geral da Saúde concluiu que "houve impacto do calor na mortalidade", mas este foi "menor do que o esperado em função das experiências anteriores".
Segundo o director-geral da Saúde, José Pereira Miguel, o número de óbitos registados em 2003 foi igual ao verificado durante a onda de calor de 1981, em que as temperaturas, apesar de acima dos 40 graus, foram inferiores às do Verão passado, tendo ainda feito sentir-se durante menos dias seguidos (nove em 1981 e 15 em 2003). Para tal resultado Pereira Miguel considerou que contribuíram os alertas e as respostas dos serviços de saúde e de vigilância.
Os dados agora apresentados indicam ainda que Beja e Santarém foram os locais mais quentes durante a onda de calor, sendo que a primeira cidade havia já sido o local mais quente durante a onda de calor verificada em 1991, enquanto em 1981 esse posto foi ocupado pela segunda. Quanto às consequências das ondas de calor, Pereira Miguel salientou que o alerta dado em 2003 resultou de já estar em funcionamento do índice Ícaro (criado em 1999 e que avalia a repercussão do calor sobre os óbitos), já que não existiu nenhum alerta durante as ondas de calor de 1991 e 1981.
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