SOCIAL
Os Estados Unidos vão ter dentro em breve uma nova Academia do Bacalhau. Desta feita, e depois de Newark, NJ, e da Nova Inglaterra, é agora a vez da comunidade de Connecticut ter também a sua. O grande dinamizador e entusiasta da iniciativa é Manuel Pinto, um emigrante português natural de Pedras Salgadas mas residente em Danbury há 32 anos. Falou ao Mundo Português durante o último convívio que reuniu na casa de Frank Tavares mais de três dezenas de pessoas, entre elas o padre de Danbury, todos apreciadores do “fiel amigo”.
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| Um Grupo de " compadres" com a missão instaladora da Academia do Bacalhau de CT |
Manuel Pinto contou ao Mundo Português que a ideia de fundar uma Academia em Connecticut lhe foi sugerida por amigos da Academia do Bacalhau de New Jersey. “Comecei por fazer um jantar com amigos, que depois trouxeram outros e com o encontro de hoje já vamos em nove”, disse. Agora, para formalizar a associação, tem de se esperar por um congresso das academias, no próximo ano, para os “padrinhos” (a Academia de NJ), proporem a sua formação. Na organização dos jantares-convívio Manuel Pinto conta com a preciosa ajuda de três amigos: Frank Tavares, Pedro Sousa e Jorge Nuno. Eles têm permitido angariar fundos distribuídos por pessoas carenciadas, afinal o grande objectivo destas academias, a par do convívio.
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| Aspecto do último convívio dos "compadres" da futura Academia do Bacalhau de CT |
Ajudar quem precisa
Assim, e segundo Manuel Pinto, a comissão instaladora da Academia do Bacalhau de Connecticut fez já 4 donativos em dinheiro a outros tantos portugueses, doentes com cancro. “Até agora já demos $2.300”, disse. “Eu defendo que estes donativos devem sempre ser dados a pessoas individuais, em dificuldades, e não a organizações”, explicou. Manuel Pinto diz que esta Academia não pretende concorrer ou substituir-se às outras associações portuguesas, pois os objectivos são diferentes: “O espírito que rege estas academias é o convívio entre as pessoas e todo o dinheiro angariado é sempre para apoiar os mais necessitados”, explicou. “O pretexto para estas reuniões é o gosto pelo bacalhau e a certeza que o dinheiro que se paga é bem empregue”.
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| Manuel Figueiredo, "padrinho" e fundador da Academia de Newark, NJ |
Manuel Figueiredo, emigrante residente em Newark, NJ, e natural do concelho de Cantanhede, é o fundador da Academia do Bacalhau de New Jersey, a primeira nos Estados Unidos. Já foi também presidente e hoje é presidente honorário. Com Alexandrino Costa (actual vice-presidente), marcou presença no convívio de Connecticut para incentivar os “compadres” a levarem a iniciativa avante e instruí-los nos rituais da academia, nomeadamente no uso do “badalo” e nos brindes que durante os convívios se vão fazendo. Disse ao Mundo Português que além desta Academia em CT, outra se encontra também em formação na Flórida.
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| Manuel Pinto, da futura Academia de CT |
“As Academias do Bacalhau pretendem criar o espírito de amizade entre as pessoas e entre os povos”, disse ao Mundo Português. “Essa amizade é cimentada através dos seus convívios e tertúlias, que são feitos com certa regularidade ao longo do ano”, acrescenta. É por isso que os convidados e a admissão de novos “compadres” obedeça a certos critérios: “O objectivo é reforçar a amizade e não destabilizá-la com novos membros”, explica. E continua: “Há, por outro lado, a parte de angariação de fundos, que são sempre aplicados no apoio a pessoas da nossa comunidade que precisam de apoio num certo momento, ou para bolsas de estudo para os melhores alunos das escolas de português”. O bacalhau é o “rei” nestes convívios, por motivos óbvios: “É um prato que se identifica com os portugueses e que tem contribuído para a união das pessoas em torno da nossa cultura e gastronomia”, diz Manuel Figueiredo. “É muito difícil encontrar um português no mundo que não goste de bacalhau”, diz. A primeira Academia do Bacalhau foi fundada na África do Sul, mas a ideia espalhou-se rapidamente por todos os países onde vivem portugueses. Hoje existem Academias do Bacalhau em Angola, Moçambique, Brasil, Venezuela, Estados Unidos, Açores, Madeira, França, Canadá e Portugal. São “tertúlias de amigos, sem finalidades políticas, religiosas ou comerciais” e os seus objectivos são “fomentar, encorajar e desenvolver laços de convívio, cooperação e confraternização entre as diferentes comunidades e desenvolver iniciativas que contribuam para a difusão da cultura e valores tradicionais dos países onde se encontram implantadas, e ainda desenvolver a assistência moral e material a instituições de beneficência”.
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