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Academias do Bacalhau
Por MP
Outubro 2003
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Os Estados Unidos vão ter dentro em breve uma nova Academia do Bacalhau.
Desta feita, e depois de Newark, NJ, e da Nova Inglaterra, é agora a vez da comunidade de Connecticut ter também a sua. O grande dinamizador e entusiasta da iniciativa é Manuel Pinto, um emigrante português natural de Pedras Salgadas mas residente em Danbury há 32 anos. Falou ao Mundo Português durante o último convívio que reuniu na casa de Frank Tavares mais de três dezenas de pessoas, entre elas o padre de Danbury, todos apreciadores do “fiel amigo”.

Um Grupo de " compadres" com a missão instaladora da Academia do Bacalhau de CT


Manuel Pinto contou ao Mundo Português que a ideia de fundar uma Academia em Connecticut lhe foi sugerida por amigos da Academia do Bacalhau de New Jersey. “Comecei por fazer um jantar com amigos, que depois trouxeram outros e com o encontro de hoje já vamos em nove”, disse. Agora, para formalizar a associação, tem de se esperar por um congresso das academias, no próximo ano, para os “padrinhos” (a Academia de NJ), proporem a sua formação.
Na organização dos jantares-convívio Manuel Pinto conta com a preciosa ajuda de três amigos: Frank Tavares, Pedro Sousa e Jorge Nuno. Eles têm permitido angariar fundos distribuídos por pessoas carenciadas, afinal o grande objectivo destas academias, a par do convívio.

Aspecto do último convívio dos "compadres" da futura Academia do Bacalhau de CT


Ajudar quem precisa

Assim, e segundo Manuel Pinto, a comissão instaladora da Academia do Bacalhau de Connecticut fez já 4 donativos em dinheiro a outros tantos portugueses, doentes com cancro. “Até agora já demos $2.300”, disse. “Eu defendo que estes donativos devem sempre ser dados a pessoas individuais, em dificuldades, e não a organizações”, explicou.
Manuel Pinto diz que esta Academia não pretende concorrer ou substituir-se às outras associações portuguesas, pois os objectivos são diferentes: “O espírito que rege estas academias é o convívio entre as pessoas e todo o dinheiro angariado é sempre para apoiar os mais necessitados”, explicou. “O pretexto para estas reuniões é o gosto pelo bacalhau e a certeza que o dinheiro que se paga é bem empregue”.

Manuel Figueiredo, "padrinho" e fundador da Academia de Newark, NJ


Manuel Figueiredo, emigrante residente em Newark, NJ, e natural do concelho de Cantanhede, é o fundador da Academia do Bacalhau de New Jersey, a primeira nos Estados Unidos. Já foi também presidente e hoje é presidente honorário. Com Alexandrino Costa (actual vice-presidente), marcou presença no convívio de Connecticut para incentivar os “compadres” a levarem a iniciativa avante e instruí-los nos rituais da academia, nomeadamente no uso do “badalo” e nos brindes que durante os convívios se vão fazendo. Disse ao Mundo Português que além desta Academia em CT, outra se encontra também em formação na Flórida.

Manuel Pinto, da futura Academia de CT


“As Academias do Bacalhau pretendem criar o espírito de amizade entre as pessoas e entre os povos”, disse ao Mundo Português. “Essa amizade é cimentada através dos seus convívios e tertúlias, que são feitos com certa regularidade ao longo do ano”, acrescenta. É por isso que os convidados e a admissão de novos “compadres” obedeça a certos critérios: “O objectivo é reforçar a amizade e não destabilizá-la com novos membros”, explica. E continua: “Há, por outro lado, a parte de angariação de fundos, que são sempre aplicados no apoio a pessoas da nossa comunidade que precisam de apoio num certo momento, ou para bolsas de estudo para os melhores alunos das escolas de português”.
O bacalhau é o “rei” nestes convívios, por motivos óbvios: “É um prato que se identifica com os portugueses e que tem contribuído para a união das pessoas em torno da nossa cultura e gastronomia”, diz Manuel Figueiredo. “É muito difícil encontrar um português no mundo que não goste de bacalhau”, diz.
A primeira Academia do Bacalhau foi fundada na África do Sul, mas a ideia espalhou-se rapidamente por todos os países onde vivem portugueses. Hoje existem Academias do Bacalhau em Angola, Moçambique, Brasil, Venezuela, Estados Unidos, Açores, Madeira, França, Canadá e Portugal. São “tertúlias de amigos, sem finalidades políticas, religiosas ou comerciais” e os seus objectivos são “fomentar, encorajar e desenvolver laços de convívio, cooperação e confraternização entre as diferentes comunidades e desenvolver iniciativas que contribuam para a difusão da cultura e valores tradicionais dos países onde se encontram implantadas, e ainda desenvolver a assistência moral e material a instituições de beneficência”.

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