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Novo espectáculo de José Luis Iglésias e da Companhia das Músicas estreou em Newark, NJ, por altura do Dia de Portugal Uma viagem por Portugal contada com poesia, música e danças tradicionais por Glória de Melo (colaboradora)
Com um título inspirado na obra de Almeida Garreth, José Luís Iglésias e a Companhia das Músicas voltou a deliciar-nos com esta terceira edição de um espectáculo ímpar que nos levou do Norte a Sul de Portugal e ainda aos Açores, através da música e danças tradicionais. Resultado de três anos de pesquisa, o espectáculo esteve quase perfeito: o cuidado na recolha das músicas das várias regiões de Portugal do cancioneiro popular, a coreografia e a beleza da juventude dos intérpretes esteve impecável. Apreciámos a reintrodução dos textos poéticos do jornalista Ilídio Martins como ligação entre os vários quadros e a apresentação de diapositivos em apoio desses textos. De lamentar, no entanto, que a locução desses textos não tivesse sido entregue a alguém que fizesse jus à beleza dos mesmo, como: "Lembro-me bem dos serões em que bordámos os lençóis de linho da tua infância. Foram muitas, meu amor, as modas que cantámos nesses serões de antigamente, as noite em que fiámos e adormecemos sobre as horas, enquanto lá fora a neve cobria a terra como um manto tão branco como o linho que hoje aquece o teu corpo e nos serve de alimento à alma"... ou ..."o tempo dirá, minha mãe, se valeu a pena. Mas tu sabes que um sonho por cumprir é como um marinheiro sem mar, um poeta sem verso, uma estrela sem brilhar. Por isso eu parti e não sei voltar". E nós, nas óptimas instalações do Essex County College em Newark, New Jersey, ouvimos a jovem Ana Paula cantar o fado de Coimbra, o grupo Eira dançar o fandango, o Balho de Santa Maria, o Corridinho, e a Gota de Braga. A grande revelação da noite foi sem dúvida no quadro dedicado a Lisboa com a interpretação de "Canoas do Tejo" pelo jovem Alexandre Valadares. O espectáculo está pronto a ser apresentado em qualquer grande sala de "cá" ou de "lá" se se eliminar também o tempo de espera entre a apresentação das várias danças, que poderia ser preenchido com outras atracções musicais ou de diapositivos enquanto os bailarinos se vestem a rigor para interpretar as danças das várias regiões. "Foi o melhor espectáculo que jamais vi neste género aqui na emigração. Temos de levá-lo a mais locais de New Jersey", disse-nos o vereador luso-americano Auguie Amador. Fausto Matias Bailarino e coreógrafo português residente em NY apresentou espectáculos em Portugal e na Áustria texto: José Gaio/Nuno G. Lopes/F.M.
fotos: José Matias Fausto Matias, coreógrafo português re-sidente em New York (Manhattan) es-teve recentemente na Áustria onde participou no Festival Internacional de Dança Contemporânea na cidade de Dornbirn. Apresentando dois trabalhos do seu repertório, o coreógrafo conquistou o bastante público presente no Teatro Spielboden, arrancando vários elogios da critica especializada austríaca.
"(...) Confrontações emotivas Fausto Matias revolucionou completamente o cenário da dança na comunidade novaioquina! Tudo o que Fausto Matias faz possui o sabor típico novaiorquino tudo é extraordinariamente rápido e dinâmico. Em termos de fisicalidade, ele afastou-se dos clichés da «técnica-da-dança-moderna» criando o seu estilo contemporâneo muito próprio" Von Christa Dietrich, no jornal Vorarlberger Nachrichten, Áustria Da Áustria, Fausto Matias viajou para Lisboa onde conjuntamente com a sua companhia "FAUSTO MATIAS Contemporary Dance Theatre" participou no 2º Festival Internacional de Dança em Paisagens Urbanas, que decorreu no Parque das Nações (EXPO98), em Lisboa. Segundo Wilson Galvão, um dos responsáveis pela organização, este Festival "emociona a cidade numa simbiose perfeita e com um cruzamento de linguagens que liberta a dança e a arquitectura para uma nova leitura, que embora efémera perdurará para sempre na memória do espectador. O Festival subverte totalmente e duma forma arrojada esta relação secular entre a dança e a arquitectura, pois é a própria dança que desafia um espaço" "Trabalhar" o espaço Os três espectáculos de Fausto Matias são disso um bom exemplo. O coreógrafo "trabalhou" os espaços que lhe foram entregues e a partir de um trabalho cénico de sua autoria seguiu-se a criação de um estrutura coreográfica pluridisciplinar, emergindo várias linguagens de expressão artística, como foi o caso da dança, música e poesia. A morte, foi o tema escolhido pelo coreógrafo português. Intitulado "Sometimes Thinking Acts, Sometimes Only Reactions" o trabalho contou com a participação dos artistas portugueses Aldara Bizarro e Nuno Garcia Lopes e os novaiorquinos Philip Hamilton, Peter Jones, Shirin Stave-Matias (esposa), Soraya Matias (filha) e o próprio Fausto Matias. Utilizando a improvisação espontânea como veículo, juntos exorcizaram medos, abordaram a morte com ternura e ironia. Os espectáculos realizaram-se na vasta esplanada de pedra do pavilhão do Conhecimento dos Mares e no Jardim de Timor. Na extensa e sólida paisagem de pedra branca, a vulnerabilidade do sentimento. Cruzes, ramos de rosas vermelhas e vultos negros estiveram em diálogo com as centenas de espectadores presentes. "Tudo o que fizeres na vida há-de ser um longo exercício sobre a morte", foram algumas das frases soltas ditas pelo poeta Nuno G. Lopes durante a sua intervenção. Depois do excelente acolhimento que o público tem vindo a dar ás actuações pontuais de Fausto Matias em Portugal, espera-se com grande expectativa o Festival que o coreógrafo está a dirigir e a produzir na cidade histórica de Tomar. O fringeTOMAR99-Festival Internacional de Dança Contemporânea tem a sua 1ª edição marcada para Setembro próximo. Este Festival, está inserido no desenvolvimento de um projecto criado há alguns anos por Fausto Matias que através de um intercâmbio cultural de artistas, tem como um dos objectivos dinamizar a dança experimental na região. Recorde-se que a cidade de Tomar apresentará a candidatura a Capital Europeia da Cultura no ano de 2012. Tomar, cidade histórica, e o "Festival fringeTOMAR99" são temas de reportagem na próxima edição da revista Mundo Português. Copyright © 1994/99 Mundo Português |
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