logopeq2.jpg (3117 bytes)PSICOLOGIA

Os filhos de pais separados: como lidar com a situação (II)

pela Dra Conceição de Pinho

 

Cara Leitora:

Continuando com a nossa conversa sobre o assunto do efeito do divócio nas crianças, falarei hoje sobre modos de lidar com a situação de maneira a minimizar os danos nas crianças.

1. Conversar — Por vezes a criança sente-se envergonhada com o divórcio dos pais, especialmente os adolescentes. Ela pode ter dificuldade em conversar sobre isso com os seus amigos, especialmente aqueles que não tenham passado por isso. Pode sentir-se como um falhado por vir de um lar partido. A melhor maneira de lidar com qualquer problema e reconhece-lo e conversar sobre ele. Conforme uma pessoa comunica, melhor compreende os seus sentimentos, não se sente tão isolada como se fosse a única pessoa no "mundo a sentir-se assim, e começa a aceitar melhor a realidade. Além de falar com outras crianças, a criança também pode beneficiar ao falar com um adulto em quem confia, como um tio ou tia. Falar com outra pessoa pode fazer uma grande diferença. Os adolescentes, em particular, podem pôr uma máscara de fortaleza, como por exemplo dizerem que não lhes preocupa ou afecta o divórcio. Em geral, as crianças com esta atitude são as que estão a sofrer mais e a precisarem de mais ajuda.

""2. Lidar com a perca — A criança não deve evitar ignorar ou fugir da dor. É melhor lidar com os sentimentos agora, quanto mais cedo melhor, porque a única maneira de os resolver é passar por eles. Se evitar lidar com a dor, a dor pode retornar meses ou anos depois e a criança carregará estes sentimentos para relações futuras, tendo problemas de confiar, amar, comprometer-se, etc. Uma dor emocional deve-se tratar como uma dor física. Requer a mesma prioridade e cuidado e por isso deve-se tirar tempo e disposição para o tratamento.

"3. É normal ter sentimentos — É correcto sentir-se deprimido. Se pretende ter mais energia, entusiasmo ou felicidade do que tem na "realidade, isso não é produtivo. O disfarce tira energia que seria melhor usada para a cura. É normal sentir-se em baixo por uns tempos e chorar ajuda a purificar e a aliviar a dor.

É correcto sentir raiva. Todos nós nos sentimo zangados com uma perca "emocional. TODOS! É natural a criança sentir-se zangada com a pessoa que a deixou (mesmo se por morte). O que não é normal é a criança odiar-se numa maneira destrutiva,contra si própria ou contra outros. É melhor exprimir a raiva conversando, fazendo uma actividade física, ou dando murros numa almofada. A raiva passará quando a criança curar o seu sofrimento.

"É correcto sentir culpa. É natural a criança sentir-se culpada e zangada "consigo própria, mas há limites. A criança deve ser encorajada a tratar-se com amor, respeito, compaixão e perdão.

"4. Evitar comportamento negativo — O divórcio por vezes trás problemas de comportamento na criança, como o desobedecer, não respeitar, roubar, e nos adolescentes também o beber, fumar e tomar droga. O adolescente pode sentir a necessidade de tolher o seu sofrimento porque se sente dominado pela dor. Logicamente, esta maneira de lidar com o problema só agrava a situação e não resolve nada. O álcool pode anastesiar a dor mas é um depressionante e eventualmente agrava a depressão. As drogas interferem com o processo curativo e os momentos de alívio só agravam a situação porque aumentam a depressão e destroem a mente. A criança pode comer e engordar de mais, talvez porque a sua auto-estima se encontra baixa e não se importa com o seu parecer. O adolescente pode também envolver-se em relações "sexuais como forma de busca de conforto e intimidade. Mas a relação sexual não tem nada a ver com suporte emocional. Tal como o beber, fumar e tomar drogas, o sexo pode levantar os espíritos temporariamente, mas a longo prazo pode trazer mais problemas.

 

"5. Benefícios do divÓrcio —Muitas vezes a criança ou adolescente pode beneficiar desta oportunidade para desenvolver maior intimidade com ambos os pais agora que estão fora do barulho e tensão do lar. Passar um "fim-de-semana com um pai pode tornar-se uma ocasião especial para a criança e para o pai. A criança também aprende a resolver conflitos. Aprende que por vezes as relações num lar se tornam difíceis e o divórcio é a única solução, embora longe do ideal. Tal como a morte, o divórcio é parte da vida. O que importa é a forma como a família lida com ele.

Como nota de interesse, em vez de se recorrer a advogados no processo de separação e divórcio, há vantagens em usar o chamado "divorce mediation", que envolve uma maneira de negociar juntos com um profissional a separação e divórcio com prioridade no bem estar dos filhos. No Westchester County, N.Y., contacte o "The Center for Behavior Therapy" em White Plains, (914) 946-4666 para mais informações.

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