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José Silva   

De construtor dos maiores atuneiros do mundo a modelos que figuram no Smithsonian Museum

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José Vitorino Silva, natural do Pico, Açores, residente em San Diego, CA, levou a vida a construir barcos, mais concretamente atuneiros. Agora, reformado, continua a paixão do mar através de fabulosos modelos dessas cada vez mais raras embarcações. Réplicas tão perfeitas que só o tamanho as distingue dos originais. Um desses modelos — o "Western Fisher" — está exposto no Museu Smithsonian, em Washington DC.

Mas vamos conhecer um pouco da vida deste homem que durante anos deixou marca inconfundível na construção naval da Califórnia e mesmo do mundo.

A vocação de José Silva para a construção naval despertou-lhe cedo, associada ao gosto pela carpintaria. Essa inclinação, pode dizer-se, corria-lhe no sangue, pois já os bisavós trabalharam na construção naval. Começou cedo a trabalhar na arte, pois aos 14 anos já exercia funções numa oficina de seu tio e aos 18 anos desenhou e construiu o seu primeiro barco de pesca. Quando fez 25 anos, estabeleceu-se na Terceira e já tinha construído mais de uma dezena de embarcações. No entanto, seria o contacto com os militares da base aérea americana da Terceira que lhe daria a oportunidade de revelar o seu talento e enriquecer os seus conhecimentos nesta arte. De 1951 a 1958 José Silva trabalhou na Base Aérea das Lajes, acabando inclusivamente por ser integrado no Corpo de Engenharia, tendo sido distinguido com vários louvores. Gentebarco2.JPG (15144 bytes)   GentedasCJSilvabarco.JPG (30938 bytes)

A América

Em 1959 decide-se a emigrar para os Estados Unidos, onde recomeça a sua vida na mó de baixo, como simples carpinteiro civil, reparando e construindo casas na área de Point Loma. Mas o seu sonho de menino continuava vivo e algum tempos depois consegue emprego na reparação e reconstrução de barcos de pesca na empresa Campbell. O seu talento e qualidades profissionais depressa são reconhecidas pelos responsáveis da empresa, que o promovem a desenhador e construtor de barcos de corrida e depois dos atuneiros. Passa então a desenhar os mais belos e maiores atuneiros que sulcam as águas do Atlântico, superintendendo igualmente em todo o processo de construção. Nesses anos vão sair-lhe do lápis e das mãos alguns dos mais famosos atuneiros americanos daquela época, caso do "Enterprise", "Maria C.", "Conquistador", "Ocean Queen", etc, que tornam a Campbell numa das construtoras navais mais inovadoras do país. Quando José Silva entrou para a Campbell, esta empresa empregava 80 trabalhadores, mas quando se reformou, 20 anos depois, eles já eram mais de 850. Para o sucesso da Campbell, que é propriedade de luso-americanos e construiu os maiores atuneiros do mundo, muito contribuiu o talento de José Silva e os conhecimentos trazidos da velha escola portuguesa na construção naval. Das suas mãos saíram verdadeiras obras de arte, barcos com mais de 1700 toneladas de capacidade que marcaram uma época, caso do "Ocean Queen",

Durante esses anos dourados da década de 70, Jose Silva desenhava barcos sem parar, chegando a desempenhar na Campbell todas as funções. Era também ele que desenhava e construía os modelos que depois dariam corpo ao barco em tamanho natural. Um desses modelos — "Madrugador", depois renomeado "Western Fisher" — um modelo à escala 1/8"-1’0" do Campbell Hull nº 105, figura hoje no Museu Smithsonian em Washington DC.

José Silva é casado com D. Carlota Mesquita Rosa e Silva e tem um filho, José Alberto Silva, que quebrou a tradição de três gerações e não seguiu a carreira de construtor naval, pois é Engenheiro Civil. Reformado, o senhor Silva dedica-se agora à construção de modelos de barcos, autênticas obras-primas em miniatura que não deixam nada a dever aos modelos verdadeiros.

José Silva foi também um homem dedicado à comunidade, que soube sempre ajudar o próximo. Foram muitos os seus conterrâneos que entraram na Campbell Machine Inc. graças à sua influência. Por outro lado, foi também membro activo durante anos do Portuguese American Social and Civic Club de San Diego.

Comendador José Silva

Em 1982, o engenho, a arte e a solidariedade para com o próximo foram reconhecidas pelo governo português, que lhe atribuiu a Comenda da Ordem de Mérito Industrial.

 

(Agradecimentos: Manuel Coelho, correspondente na Califórnia)

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